Pessoas com quem trabalhei: o Nariz

6 01 2012

Nunca soube o nome do Nariz. Para falar a verdade, nunca sequer consegui identificar se rosto. Só sei que era o Nariz e andava pela empresa. Se comentava a boca pequena sua presença, quase como um fantasma ou um duende que ninguém consegue identificar onde está ou como é, mas todos têm certeza de sua presença.

Eu nunca tinha levado muito a sério essa história que mais parecia mitologia de escritório do que qualquer outra coisa. Mas, um dia, pude sentir sua presença. Estava eu no banheiro, sentado no meu trono, pronto para sujar a louça quando percebi alguém entrando no mesmo banheiro. Não me senti inibido já que sou da política de que o banheiro é o único lugar no mundo em que se é permitido ser podre. Se não puder mostrar o seu pior no banheiro, não poderá em nenhum outro lugar.

Para comprovar isso, aproveitei e toquei a trompeta com vontade, anunciando minhas intenções dentro daquele ambiente sacro-santo. Qual não foi minha surpresa quando escuto a pessoa respirar fundo! E de novo. E de novo! “O Nariz”, eu pensei, “E agora, o que eu faço?” Na hora o cu travou. Não passava nem fio de cabelo, tudo completamente fechado sem a menor possibilidade de negociação. E ele continuou lá, dando fungadas impacientes em busca de mais insumo para sua tara. Mas não dava, o Nariz tirou minha liberdade no trono, tirou minha coroa.

Desde esse dia, antes de começar os trabalhos, sempre balanço a roseira e espero alguns segundos para confirmar que quem está no mesmo banheiro não é o Nariz, mais uma pessoa com quem trabalhei.





Pessoas com quem trabalhei: o Homo-Macho

5 01 2012

Silva foi um cara que vivia muito retraído na sua mesa, quase não batia papo com as pessoas, preferindo sempre conversar por chat. Como no local só havia homem, praticamente, os papos sempre rondavam o âmbito do futebol. Ele fazia comentários, às vezes grosseiros, às vezes duros, sobre oque tava sendo dito. “Isso é coisa de bicha!” “Se não aguenta, pede pra cagar e vai embora!” “Chuuuuuupa!”

Um dia, conversando sobre filmes com um outro companheiro de trabalho, comentei que tinha assistido a um filme que tinha gostado muito, mas que não lembrava o nome em português: Cinderella Man. Silva escutou e só faltou me linchar já que, oviamente pelo nome, se tratava de filme de viado.

Acontece que Silva teve que ser mudado de lugar e ficou com seu computador voltado para o corredor, à vista de todos. Começamos a perceber que ele passava seus dias vendo sites um tanto quanto estranhos: academias de ginástica com as fotos dos halterofilistas com zoom, fan pages de jogadores de vôlei masculino, sexshops em páginas cujos produtos eram sempre os consolos de tamanhos e formatos mais bizarros imagináveis.

Apesar daquilo, ninguém ousava questionar o Silva, afinal sua postura sempre foi de machão incorrigível e poderia ser que estivesse armando alguma brincadeira com alguém. Mas, um dia, seu chefe veio reclamar com ele que seu computador estava cheio de vírus e que isso se devia ao fato de que ele ficava entrando em chats de sexo gay após o expediente: ManMade.com, SeAbra.com.igo, DeHomensParaHomens.com etc.

Sem perder a postura de machão, Silva disse que gostava de comer homem. Quanto mais macho melhor. E que não era gay, aquilo era uma prova de toda a sua macheza.

Silva nunca mais teve moral dentro do trabalho e ninguém mais dava bola para seus comentários grosseiros. Deixou de ser um colega de trabalho esporrento para ser apenas mais uma pessoa com quem trabalhei.





Pessoas com quem já trabalhei: a Josefa

4 01 2012

Josefa foi uma pessoa com quem trabalhei e que muito me supreendeu. Era uma mulher linda, do tipo que entra num lugar e todos param para olhar ela passar – homens E mulheres. Deixava os homens estupefatos e as mulheres se rasgando com sua beleza.

Logo no primeiro dia de trabalho, Josefa me deixou boquiaberto e acho que não fiz um bom trabalho em disfarçar. Ela, acostumada com essa reação e muito generosa no trato, fingiu que não percebeu nada e continuou sendo muito simpática e solícita sentada na sua mesa. Saí do escritório neste primeiro dia com uma impressão absurdamente boa dela.

A desgraça veio no segundo dia. Ela chegou um pouco atrasada então tive a oportunidade de acompanhar o acontecimento que era sua entrada no escritório. Aproveitei para avaliar todo o conjunto da obra, de cima a baixo, da direita à esquerda, de frente para trás. E vice-versa.

Quando cheguei nos seus pés creio que dei um salto para trás, mesmo sentado na minha cadeira: eram enormes e com uns dedos longuíssimos. Praticamente pé de gorila, completamente desproporcional e despropositado naquela mulher até então tão perfeita. A pobre sandália de dedo que calçava não dava conta nem de metade do dedinho mindinho, imagina os outros.

Desde esse dia, o encanto acabou. Jose, como passei a chamá-la, passou a ser apenas mais uma pessoa com quem trabalhei. Ela e seu pé de monstro.

Pé de Jose





O Futuro do Lucas?

14 03 2011




Mudança de nome

7 02 2011

O que é uma página em branco nas mãos de um escritor senão a construção de todo um universo por suas letras?
O que é uma tela vazia sob o olhar do pintor senão a mais linda imaginação?
O que é um quarto extra aos olhos de um casal grávido? O resto de nossas vidas.

Passamos o final de semana tirando tudo que havia no outro quarto e oficialmente deixamos de chamá-lo de escritório. A partir de agora – e por muito tempo mais – será o quarto do Lucas.





Wall-e ajuda os pais

20 01 2011

Cansada das minhas reclamações, a patroa encontrou isso para me ajudar:

Devo admitir que fiquei muito tentado a comprar. Neste exato momento estou pensando como juntar (mais) dinheiro para comprar esse aparelho que tem bluetooth (e, portanto, é super varonil!).

Assim que descobrir onde comprar aqui pelas Argentas um peito falso para pais darem de mamar aos filhos, vai para o carrinho de compras também imediatamente. Assim que instalar um bluetooth nele também.

P.S.: Detalhe para a parte em que dizem o nome do produto no vídeo que é muito wall-e! Vou contar pro chefe!





Incompreendi@s

11 01 2011

As mulheres vivem reclamando que os país de seus filhos não entendem a mulher grávida. Não posso dizer que seja totalmente o meu caso. Eu realmente tento me envolver em tudo o que puder. Toda vez que a GO vai tocar na barriga da metade-cara, eu toco também. Se vai comprar algo pro Lucas, eu dou pitaco. Se estão parto discutindo o parto, eu digo logo por qual buraco eu acho que tem que sair.

Mas tem um ponto até onde o homem vai e que a partir daí não tem como entendermos ou nos envolvermos com o que está acontecendo. Não tem como. Vai além da nossa capacidade simplesmente porque não é com a gente que está acontecendo e não temos nada nem parecido que poderia nos dar uma idéia do que é.

Para começar, o tal do ultrassom. Eu tive um treinamento intensivo neste quesito (afinal acho que fizemos um ultrassom para cada 10 dias de gravidez). Mas, mesmo assim, é muito difícil tentar decifrar o que está contecendo naquela tela monocromática em que o técnico diz que seu filho tem orelha de abano e você acha que tá vendo uma casa com chaminé (ao estilo daquelas imagens 3D que todo mundo via alguma coisa, menos eu).

Encontrou o ponei? Eu também não.

Encontrou o ponei? Eu também não.

Ultras 4D, então, não contentes em serem difíceis de entender num primeiro momento, mais parecem, na verdade, um monstro saindo de Total Recall.

"Seu filho é uma belezura, minha senhora!"

"Seu filho é uma belezura, minha senhora!"

Outra coisa é se divertir vendo partos. Não rola. Sério. Sim, é o milagre da vida, a Natureza em sua forma mais pura e linda. Ok. Mas, para o homem, aquilo parece absurdamente doloroso. Não entra na nossa cabeça curtir aquele monstro saindo de dentro da sua esposa. E por onde sair, então? Só pode doer. Já não basta a idéia original de todo homem da minha geração de que um parto é algo mais ou menos parecido com o que aconteceu naquela cena de Alien, o Oitavo Passageiro, as mulheres gritando 24 horas por dia, 7 dias por semana no Discovery Home & Health a cada coroada de um cabeçudo não ajuda em nada – EM NADA – para nós acharmos que seja outra coisa que não uma dor absurda.

"Aperta a minha mão para a dor passar, amor"

"Aperta a minha mão para a dor passar, amor"

Agora, o máximo foi ontem, na médica, ela perguntou para a patroa o que ela sentia na barriga, para saber se era ou não o padawan se mexendo. “Ai é como umas coisinhas aqui sabe?” “Sei, tipo umas bolhas de sabão explodindo de leve dentro da sua barriga, né?” “Isso!”

Sério? É isso que vocês querem que a gente entenda? Vou achar bonitinho e tal, mas realmente não tem empatia no mundo que me ajude a entender o que está acontencendo com vocês, mães, quando chega nesse nível.

Mau aê!

 

P.S.: O pior é de tudo foi o que ela me disse hoje quando falei que realmente não conseguia ainda sentir o Lucas se mexendo na barriga: “Não se preocupe, você vai sentir ele se mexendo quando nascer.” Ah, tá. Agora sim entendi o que vocês sentem. NOT!








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